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<title>davide scarso</title>
<link>https://davidescarso.github.io/</link>
<description>Crónicas, excertos e notas.</description>
<language>pt-PT</language>
<lastBuildDate>Sun, 10 May 2026 22:25:56 +0000</lastBuildDate>
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<title>A política como “representação”</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/a-politica-como-representacao.html</link>
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<pubDate>Tue, 03 Mar 2026 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[<figure class="figure-wide"><img alt="Deputados do Chega na Assembleia da República" src="https://davidescarso.github.io/assets/images/chega-assembleia.png"/><figcaption>Luís Manuel Neves/Lusa</figcaption></figure><p>Ao que tudo indica, nos dias em que a região centro foi assolada por violentas tempestades, os canais oficiais do partido Chega terão difundido um vídeo nas redes sociais que mostra o seu líder a carregar garrafões de água na mala de um carro debaixo de chuva, tendo aumentado a intensidade da chuva por meios digitais. Sabemos muito bem que a propaganda é a alma do negócio, mas uma manipulação tão grosseira merece alguma atenção. Na última década, a comunicação política tem-nos oferecido discursos e atitudes que teriam sido impensáveis até há não muito tempo atrás, mas que hoje na verdade já não nos surpreendem assim tanto. Pensemos, a nível internacional, no grotesco fluxo semi-improvisado de Donald Trump, um misto de auto-celebração, insultos e mentiras, que o próprio já transformou numa figura de estilo, batizando-a de “the weave”. Ou, aqui mais perto, no comportamento vergonhoso do deputado do Chega Filipe Melo que, durante os trabalhos da Assembleia da República, dirigiu palavras e gestos de cariz racista e machista a duas colegas deputadas. Comportamento que, porém, não parece ter suscitado qualquer vergonha no seu autor, que ainda não apresentou um pedido de desculpas, apesar de ter sido instado nesse sentido no âmbito de um inquérito parlamentar. A falta de vergonha não parece aqui apenas um defeito pessoal, uma falta de estilo ou de educação, mas um dos elementos centrais de uma certa forma de ação política. Lembremos ainda um outro momento também muito significativo, quando o então candidato à Presidência da República André Ventura disse abertamente e sem hesitar que, caso viesse a ser eleito, não seria o presidente de todos os portugueses. Trata-se de uma declaração surpreendente, se considerarmos que tradicionalmente é quase que um lugar-comum da retórica dos candidatos à Presidência dizer que, uma vez eleitos, irão representar todos os cidadãos, inclusive os que não votaram neles. Como fez, de resto, em mais de uma ocasião, antes e depois da vitória, António José Seguro.</p><p>A esta “mudança de fase” das formas do discurso político, de que exemplos não faltam, chamamos populismo, considerando-a, justamente, associada a uma crise da representação. Motivo de alegria e de tormento da nossa vida política, com todos os seus limites e efeitos perversos, a representação é o mecanismo fundamental das democracias modernas, pelo menos nas suas formas  institucionais. Já há um par de décadas que as práticas e as instituições que, através de muitas lutas e negociações, vieram a ser desenvolvidas para, a bem ou a mal, evocar e traduzir em ação política a sempre fantasmática “vontade do Povo”, mostram estar em dificuldade. Parece-me poder ser produtivo interpretar os fenómenos a que assistimos hoje como uma passagem à representação no seu sentido teatral. As intervenções de Trump e de Ventura podem ser lidas então como tendo o objetivo, não tanto de representar politicamente os seus eleitores – isto é, de interpretar, mediar, negociar e, nos casos mais virtuosos, de os inserir num projeto de futuro comum – mas de os representar teatralmente: encenar os seus afetos, dar corpo aos seus ressentimentos, performar as suas frustrações. Estas figuras não procuram articular demandas em propostas, mas manter viva a própria energia da demanda.</p><p>Décadas de tecnocracia, de decisões tomadas em nome de imperativos técnicos supostamente neutros, criaram populações que se sentem espetadoras da própria vida política. Uma resposta adequada e efetiva implicaria uma profunda reestruturação das relações de poder e das formas de distribuição de riqueza e de participação. Para evitar isso, eis que se tenta manter tudo como está, mantendo o corpo político em constante fibrilação e apontando uma causa que é simultaneamente interna e externa: os estrangeiros no território nacional, mas progressivamente também os que protestam e resistem, aqueles que, supostamente, odeiam a pátria e a sua história. Trata-se de permanentemente recriar uma atmosfera de agressão, escândalo e ressentimento, mantendo em constante mobilização afetiva os que já não são vistos como cidadãos, mas sim como potencial eleitorado. Em vez de procurar soluções funcionais, há a vontade deliberada de manter a tensão em alta. É, obviamente, uma forma de produção de subjetividades coletivas – não é apenas loucura, tem uma lógica perversa, mas eficaz. Cria grupo através dos argumentos mais retrógrados possíveis: identidade étnica, racismo, medo dos outros, medo do futuro. Esta política funciona precisamente porque responde a bloqueios reais, devidos tanto ao longo trabalho de “dessocialização” realizado pelas políticas neoliberais, como ao que parece ser o esgotamento das perspetivas de emancipação coletiva. O teatro do ressentimento parece oferecer algo que a política normal já não oferecia: a sensação de participar, mesmo que seja através da identificação com a transgressão alheia. E a energia que não encontra investimento em formas de intermediação, seja dentro ou fora das instituições, está disponível para ser reinvestida em manifestações de poder direto e imediato. É por isso que o assédio e o “vai para a tua terra” do Filipe Melo ou a exposição dos nomes de crianças estrangeiras por parte de Rita Matias não são apenas parolice, conversas de café que de repente subiram ao palco, são também o mecanismo da “representação” política a funcionar. Uma representação teatral do poder que, desprovida de qualquer projetualidade efetiva, só pode assumir a forma de coerção e de exclusão. Assim, a proximidade com os movimentos de extrema-direita neofascista não é mera contingência ou oportunismo, mas o anúncio do seu desfecho natural.</p><p>Não surpreende que estas personagens aparentemente grotescas e claramente inadequadas ao cargo recebam, muito discretamente, apoio financeiro por parte de grupos económicos e fortunas individuais. Enquanto se empenham na sua performance e mantêm os seus corpos políticos, que se sentem assim “representados” nos ecrãs dos telemóveis e das televisões, numa vibração afetiva constante, nos bastidores a acumulação de riqueza pode tranquilamente prosseguir o seu caminho. A mobilização sem futuro, toda transfixa num passado supostamente glorioso de ordem e hierarquia, deixa plena margem de manobra para que o poder no seu sentido mais vertical e violento possa atuar sem prestar contas a ninguém. Que o líder do Chega tenha chegado à segunda volta das presidenciais e ficado em segundo lugar com um terço dos votos deve preocupar quem acredita que a política é a “arte de viver juntos”. No entanto, a vitória de António José Seguro com dois terços dos votos não poderia encarnar melhor um desejo de retorno à política mais tradicional. Sóbrio, um pouco cinzento e previsível nos seus lances retóricos, talvez precisamente por isso tenha inspirado confiança e responsabilidade numa fase de grande dificuldade para o país. Estaremos perante uma mera pausa na rápida ascensão da política como “representação” ou perante os primeiros sinais de uma ressaca?</p>]]></description>
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<title>Níobe em Gaza</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/niobe-em-gaza.html</link>
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<pubDate>Fri, 10 Oct 2025 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[<figure class="card">
<img alt="Niobe com a filha mais nova (II séc, Museo degli Uffizi, Firenze)" src="https://davidescarso.github.io/assets/images/niobe_peq-2.png" style="max-width: 100%; height: auto;"/>
<figcaption class="meta">Niobe com a filha mais nova (II séc, Museo degli Uffizi, Firenze)</figcaption>
</figure><p>A editora Penguin reeditou no final do ano passado as Metamorfoses de Ovídio, livro que não seria exagero descrever como prodigioso e que há anos estava fora de circulação. Entre as muitas histórias que lá encontramos, conta-se a de Níobe, rainha de Tebas e mãe de catorze filhos, sete rapazes e sete raparigas. Certo dia, ao ver o povo tebano todo atarefado com os preparativos para a celebração da deusa Latona, mãe dos gémeos Apolo e Diana e protetora da maternidade e das crianças, Níobe não consegue conter a sua irritação. Mas porque havemos de adorar uma deusa que só teve dois filhos, grita, quando eu tenho catorze? Eu sou bem mais afortunada que Latona, podem até tirar-me alguns deles e ainda assim terei mais do que ela. Latona ouve estas palavras e, revoltada com as soberbas injúrias da mortal, chama os filhos e pede que lhe tragam vingança. Apolo e Diana respondem de imediato. Primeiro, Apolo dirige-se aos sete filhos varões, que se encontravam a fazer exercícios, e mata-os um a um com as suas setas. Níobe chora a morte dos filhos mas, como se não conseguisse conter o desafio, insiste: ainda lhe restam as sete filhas, diz ela. Mas eis que as setas certeiras de Diana atingem as raparigas também, uma após a outra até restar apenas uma, que busca proteção nos braços da mãe. Níobe abraça-a, faz do seu corpo escudo, suplicando aos deuses que lhe poupem ao menos esta última filha. Em vão pois, com uma última seta, Diana completa o massacre. Rodeada agora pelos corpos dos catorze filhos, Níobe emudece de dor. O vento já não lhe move os cabelos, diz Ovídio, a face perde a cor, os olhos fixam-se sem piscar. Com o rosto ainda lavado em lágrimas, Níobe torna-se pedra. Um vendaval arrasta-a para a sua terra natal, onde dizem que ainda hoje é possível ver, no cume de uma montanha, uma pedra de onde as suas lágrimas brotam eternamente. “Porém ainda chora”, escreve Ovídio.</p><p>No dia 23 de março, pela manhã, Alaa Al-Najjar foi trabalhar para o Hospital Nasser, em Khan Younis, uma cidade no sul da faixa de Gaza. Pediatra, é conhecida pela dedicação com que, apesar da falta de condições, procura prestar cuidados às crianças vítimas da ‘operação militar’ israelita. Em casa ficaram o marido, também médico no mesmo hospital, e os seus dez filhos, o mais velho com dez anos e o mais novo com seis meses. Nesse dia, bombas do exército de Israel atingiram a casa, matando o marido e nove dos dez filhos. Apenas um, Adam, sobreviveu, ficando gravemente ferido. Não sabemos o que Alaa poderá ter feito para merecer tal castigo, que divindades terá ofendido. Também não encontrei notícias sobre o que será feito de Alaa. Não sei se o Hospital Nasser de Khan Younis ainda está de pé, se ela ainda trabalha lá, se continua a proteger o último filho com o corpo de cada vez que ouve o estrondo das bombas. Ou se também hoje em Gaza há uma pedra que chora para sempre.</p>]]></description>
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<title>Quando os movimentos de defesa do direito à habitação</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-06-13-072357-quando-os-movimentos-de-defesa-do-direito-a-habitacao.html</link>
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<pubDate>Fri, 13 Jun 2025 07:23:57 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Quando os movimentos de defesa do direito à habitação são classificados como perigosos extremistas de esquerda e o José Hermano Saraiva até parece progressista, quer dizer que chegou a hora de desligar e voltar a ligar a nossa janela de Overton.]]></description>
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<title>“Aquilo, para mim, que tinha 12 anos quando foi o 25 de Abril</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-04-25-102913-aquilo-para-mim-que-tinha-12-anos-quando-foi-o-25-de-abril.html</link>
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<pubDate>Fri, 25 Apr 2025 10:29:13 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[“Aquilo, para mim, que tinha 12 anos quando foi o 25 de Abril e já era muito politizado, era um festival para os sentidos. O mais incrível é que os tenha guardado, vá-se lá saber porquê. [...] Queria ter um de cada. Porque a realidade mudou de repente. Dantes, as paredes eram limpas e brancas e pintadinhas, tudo arrumadinho; de repente, não eram só as paredes que estavam desarrumadas, as famílias e o país também estavam desarrumados. A minha família quase se desfez, o meu avô era um lavrador alentejano a quem ocuparam as terras, o meu pai era do Partido Socialista, e o que estava em causa eram coisas importantes: ‘Deixamos cair as colónias?’ ‘A propriedade privada pode existir?’ ‘Tudo é de todos mas a minha enxada é minha?’ Estava tudo em discussão, havia debates por todo o lado.”<ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2025/04/25/culturaipsilon/noticia/cartazes-politicos-197476-macccb-retrato-acontecer-portugal-2130844" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>O que os dados escondem</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/o-que-os-dados-escondem.html</link>
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<pubDate>Fri, 28 Mar 2025 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[O Parlamento português aprovou recentemente uma proposta da Iniciativa Liberal, com voto a favor do PSD, CDS e Chega, bem como do deputado não-inscrito Miguel Arruda, que visa incluir nos relatórios anuais de segurança interna informações acerca da nacionalidade dos autores e vítimas de crimes. PS, BE, PCP, Livre e PAN votaram contra, alegando que estes dados são pouco úteis e podem fomentar a estigmatização e a xenofobia. Na opinião do senhor primeiro-ministro, embora credo religioso e etnia sejam informações algo controversas, dados sobre a nacionalidade permitiriam "aprofundar o conhecimento da factualidade subjacente à criminalidade". Mas o que é a "factualidade" que as estatísticas nos apresentam? Imaginemos que conseguimos ter em breve uma descrição estatística detalhada das pessoas que cometem crimes em Portugal: género, idade, classe socioeconómica, nacionalidade. Poderíamos até incluir o índice de massa corporal, os níveis de colesterol e o consumo de álcool, porque não? O que iríamos encontrar? No cenário mais simples, este retrato corresponderia exatamente à distribuição atual da população em Portugal (excetuando, por razões óbvias, crianças e idosos). A mesma proporção de homens e mulheres. A mesma proporção de cidadãos nacionais e estrangeiros. E até mesmo a mesma proporção de pessoas acima do peso ideal e pessoas com silhuetas elegantes. Neste caso não haveria qualquer polémica, nem tampouco nada de especialmente instrutivo. Não estarei a surpreender ninguém ao dizer que é muito improvável que a descrição estatística dos autores de crimes em Portugal venha a corresponder, nem de longe, às características da população em geral. De resto, ninguém fica particularmente espantado ao descobrir que também a descrição estatística dos trabalhadores das cozinhas de fast food não reflete a distribuição "normal" da população. E o mesmo acontece com os estafetas das entregas, os funcionários dos bancos, os condutores de autocarro ou os CEOs das startups tecnológicas. <p> Todos os dias somos confrontados com o facto de certos lugares e certas atividades parecerem atrair e concentrar pessoas com determinados "perfis", e afastar outras, numa distribuição que está longe de ser aleatória. A leitura mais comum será que todos temos as mesmas oportunidades, à partida, portanto as diferenças dependerão das escolhas, boas ou más, que fazemos. Cada um tem, afinal, aquilo que merece. É uma explicação simples e reconfortante (pelo menos para alguns). Só que basta olharmos para os números do insucesso escolar, por exemplo, ou do acesso ao ensino superior, para percebermos que também aí a distribuição está longe de ser aleatória. Isso sugere-nos que existem mecanismos de seleção e diferenciação que começam a atuar muito cedo na vida de todos nós, frequentemente com efeitos cumulativos tanto a nível individual como de uma geração para a outra, e é preciso tentar compreendê-los. É aqui que devemos sublinhar uma questão essencial. Quando decidimos que uma determinada categoria - "nacionalidade", "etnia", "classe socioeconómica" ou "índice de massa corporal" - pode ser importante para compreender um fenómeno, já estamos a revelar muito sobre como vemos o mundo. Ao escolhermos uma destas categorias, assumimos pelo menos duas coisas: primeiro, que ela designa uma dimensão dotada de uma certa coerência e consistência interna (ou seja, que é uma 'coisa'); segundo, que pode captar algo de real e potencialmente 'explicativo' acerca da nossa vida em coletividade. E privilegiar uma destas categorias, e não outra, dificilmente será uma escolha neutra ou meramente técnica, dependendo pelo contrário de uma postura básica, quase fisiológica, sobre como entendemos e vivemos a realidade à nossa volta. Decidir medir esta e não outra característica e procurar verificar esta e não outra possível correlação sugere e facilita determinados desenvolvimentos e, ao mesmo tempo, impede ou dificulta outros. Um certo tipo de análise abre espaço a possíveis intervenções estruturais através de políticas públicas, outras tendem pelo contrário a naturalizar as diferenças observadas e a sugerir, por consequência, medidas de cariz securitário. <p> Num momento em que os dados não apenas fundamentam a ação política, mas se tornam instrumentos diretos da governação, é ainda mais necessário lembrar um facto essencial: a recolha e análise de informação nunca é "neutra". Quando alguém insiste que "os dados falam por si", está a ignorar (ou quer esconder) um aspeto fundamental, isto é, que a própria decisão sobre que dados recolher, que categorias usar e que padrões procurar já emerge de um entendimento prévio do mundo, seja ele mais ou menos explícito, e já sugere um certo tipo de intervenção. Quando nos focamos na questão da nacionalidade dos autores de crimes, já estamos implicitamente a sugerir que esta informação poderá ser um elemento explicativo relevante. Mas será que os padrões que eventualmente encontramos nos dizem algo sobre as diferentes nacionalidades em si, ou antes sobre as condições sociais e económicas em que diferentes grupos se encontram a viver neste momento? A resposta a esta pergunta nunca nos será dada pelos dados em si; estará sempre na forma como decidimos interpretá-los. E talvez valha a pena lembrar que quando procuramos compreender os mecanismos coletivos que podem estar subjacentes a certos padrões estatísticos, não estamos a desculpar comportamentos individuais. Pelo contrário, só compreendendo estes processos vamos poder elaborar intervenções que possam efetivamente contribuir para a diminuição da criminalidade, e não apenas reagir com medidas de urgência de última hora. As estatísticas são um elemento imprescindível na nossa forma de compreender a vida coletiva e orientar ações políticas. Mas afirmar que nos apresentam "factos puros" que falam por si não é apenas ingénuo, é um artifício ideológico que disfarça escolhas e pressupostos. Os dados que recolhemos, as categorias que usamos e as correlações que procuramos já refletem uma certa maneira de olhar para o mundo. Reconhecer isto não significa diminuir a importância das estatísticas, mas antes usá-las de forma consciente e crítica, procurando entender mecanismos que podem ser transformados, em vez de naturalizar diferenças que apenas servem para justificar a exclusão.]]></description>
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<title>Nunca me vou fartar de dizer</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-02-15-043813-nunca-me-vou-fartar-de-dizer.html</link>
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<pubDate>Sat, 15 Feb 2025 04:38:13 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Nunca me vou fartar de dizer: se fomos capazes de criar uma instituição que trata crianças com doenças oncológicas de forma gratuita, com as técnicas mais avançadas e, como não bastasse, com um carinho e uma dedicação que parecem não ter limites, então talvez a humanidade não esteja completamente perdida.]]></description>
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<title>Um funcionário da limpeza urbana pediu</title>
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<pubDate>Tue, 11 Feb 2025 04:32:33 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Um funcionário da limpeza urbana pediu aos tipos do restaurante indiano no fim da minha rua para usar a casa de banho. E sabem o que é que eles tiveram a lata de dizer? "Sim, claro, sem problema". Vi com os meus olhos, inacreditável. #soemportugal]]></description>
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<title>«The venture capitalist [Josh Wolfe] says</title>
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<pubDate>Wed, 05 Feb 2025 12:39:07 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[«The venture capitalist [Josh Wolfe] says this change suggests Alphabet is looking at Palantir, Microsoft, and Amazon, "who have been working closely with the government in the military, and they're now effectively saying, 'We have to work on weapons systems and surveillance. '"»<ul class="list"><li><a href="https://uk.finance.yahoo.com/video/alphabet-reverses-ban-ai-weapons-232317714.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>Em Portugal há, em média, um novo diagnóstico de cancro pediátrico por dia</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-02-04-030623-em-portugal-ha-em-media-um-novo-diagnostico-de-cancro-pediatrico-por-dia.html</link>
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<pubDate>Tue, 04 Feb 2025 03:06:23 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Em Portugal há, em média, um novo diagnóstico de cancro pediátrico por dia. Se alguma vez ficarem com dúvidas acerca do SNS ou do porquê vale a pena pagar impostos, vão dar um passeio até ao parque infantil do IPO.]]></description>
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<title>« In the present context, this would mean forming an anti-technofeudal front...</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-02-03-11035-in-the-present-context-this-would-mean-forming-an-anti-technofeudal-front.html</link>
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<pubDate>Mon, 03 Feb 2025 01:10:35 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« In the present context, this would mean forming an anti-technofeudal front that reaching beyond the left to various democratic forces and fractions of capital at odds with Big Tech. This hypothetical movement could adopt what we might call a ‘non-aligned digital policy’, aiming to create an economic space outside the grip of the monopolists in which alternative technologies could be developed. This, in turn, would imply a form of digital protectionism – denying access to US tech companies and dismantling their infrastructure wherever possible – as well as a new digital internationalism, with people sharing technological solutions on a cooperative basis. »<ul class="list"><li><a href="https://newleftreview.org/sidecar/posts/fragile-leviathan" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
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<title>Yes, Zuck, I&#x27;m talking to you;</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-02-01-12252-yes-zuck-im-talking-to-you.html</link>
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<pubDate>Sat, 01 Feb 2025 01:22:52 +0000</pubDate>
<description><![CDATA["Yes, Zuck, I'm talking to you"
« In her 1991 book “Backlash: The Undeclared War Against American Women,” Susan Faludi put forth the idea of a cycle of male revanchism against successive waves of feminism. “It returns every time women begin to make some headway toward equality,” she wrote, “a seemingly inevitable early frost to the culture’s brief flowerings of feminism. ” »<ul class="list"><li><a href="https://www.nytimes.com/2025/02/01/style/the-manosphere-its-planet-earth.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>« Em &quot;O Direito de Não Ser Desinformado&quot;, de Vania Baldi, questiona-se</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-01-29-012532-em-o-direito-de-nao-ser-desinformado-de-vania-baldi-questiona-se.html</link>
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<pubDate>Wed, 29 Jan 2025 01:25:32 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Em "O Direito de Não Ser Desinformado", de Vania Baldi, questiona-se o valor da cultura informativa e do interesse pelo conhecimento validado, analisam-se as dinâmicas intervenientes na comunicação social e na formação e atuação das esferas públicas – e faz-se um apelo à literacia mediática e democrática dos produtores, mediadores e consumidores de informação. Num mundo em que a mediação jornalística passou a dividir o palco informativo com o espaço de opinião e as redes sociais, um conjunto de investigadores e profissionais da comunicação exploram de forma inédita o caldo cultural a partir do qual emergem os fenómenos desinformativos que condicionam a vida política e social contemporânea. »<ul class="list"><li><a href="https://24.sapo.pt/atualidade/artigos/o-direito-de-nao-ser-desinformado-como-e-que-o-jornalismo-e-a-opiniao-condicionam-a-vida-politica-e-social" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
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<title>É um bocado óbvio mas vale a pena esclarecer</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-01-28-104440-e-um-bocado-obvio-mas-vale-a-pena-esclarecer.html</link>
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<pubDate>Tue, 28 Jan 2025 10:44:40 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[É um bocado óbvio mas vale a pena esclarecer, a PSP não está a dizer que não existe criminalidade em lado nenhum em Lisboa. Haverá roubos, homicídios, tráfico, zonas mais complicadas, fraudes, corrupção, criminalidade organizada etc., e isto tudo tem que ser rigorosamente investigado e os responsáveis processados e punidos. O que não há é um problema generalizado de segurança que justifique a ideia de um descalabro ou de uma "invasão", e que permita a certos partidos construirem toda sua ação em torno disso. Insistir em passar essa ideia de insegurança generalizada serve interesses políticos específicos. É uma instrumentalização do medo para ganhar apoio eleitoral à custa de reforçar preconceitos e alimentar o ódio, evitando ao mesmo tempo qualquer proposta séria e realmente útil para as pessoas.]]></description>
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<title>Empreendedorismo!</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-01-23-92536-empreendedorismo.html</link>
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<pubDate>Thu, 23 Jan 2025 09:25:36 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Empreendedorismo!<ul class="list"><li><a href="https://observador.pt/2025/01/23/vendas-online-de-deputado-do-chega-investigadas-conta-da-vinted-com-nome-dia-de-anos-e-referencia-regional-foi-apagada/?utm_term=Autofeed&amp;utm_medium=Social&amp;utm_source=Facebook#Echobox=1737660966" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>« After years of pretending to be Democrats »</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2025-01-15-74155-after-years-of-pretending-to-be-democrats.html</link>
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<pubDate>Wed, 15 Jan 2025 07:41:55 +0000</pubDate>
<description><![CDATA["After years of pretending to be Democrats, Big Tech leaders are now pretending to be Republicans" ❤<ul class="list"><li><a href="https://www.techspot.com/news/106314-epic-games-ceo-tim-sweeney-blasts-big-tech.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>Quando as empresas públicas apoiam os monopólios digitais</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/quando-as-empresas-publicas-apoiam-os-monopolios-digitais.html</link>
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<pubDate>Sat, 11 Jan 2025 06:29:20 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Quando a Câmara de Lisboa – ou qualquer outra entidade pública – adopta tecnologias que exigem a utilização exclusiva de dispositivos controlados pela Google (Android) ou pela Apple (iOS), o que acontece é, de facto, um subsídio indirecto a estes gigantes tecnológicos »<ul class="list"><li><a href="https://direitosdigitais.pt/opiniao/156-quando-as-empresas-publicas-apoiam-os-monopolios-digitais" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>Elon Musk, a parábola de um “génio”</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/elon-musk-parabola-genio.html</link>
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<pubDate>Sun, 05 Jan 2025 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[<figure class="figure-wide"><img alt="Elon Musk" src="https://davidescarso.github.io/assets/images/random/0dea2668-elon-musk.webp"/></figure>A celebração de Elon Musk como "génio visionário" tende a obscurecer as dinâmicas coletivas, as estruturas de poder e os recursos materiais que possibilitaram o seu sucesso. Sem negar o papel de uma certa inteligência, muita ambição e alguma ousadia, o seu verdadeiro talento reside mais na capacidade de compor e mobilizar recursos financeiros, tanto privados como públicos, tirando frequentemente partido de subsídios governamentais e incentivos fiscais para alavancar os projetos das suas empresas high-tech. E nas redes sociais muito se discutiu o facto de parte do capital da família de Elon Musk estar relacionado com atividades de exploração mineira na África do Sul do apartheid, bem como a ideia de que, bem vistas as coisas, Musk não é diretamente responsável por nenhuma "invenção" propriamente dita.<p>Mas talvez seja interessante alargar o quadro e ver o percurso de Musk como uma verdadeira "parábola" do nosso tempo. Por um lado, Musk encarna de forma emblemática a transformação profunda na própria figura do "génio" contemporâneo. Se antes este papel estava associado ao espaço criativo e científico da "Big Science" ligada ao setor público – refira-se, de Oppenheimer aos aceleradores do CERN – ele tem vindo a deslocar-se progressivamente para o campo do empreendedorismo tecnológico. Musk, um autêntico mito contemporâneo, emerge assim num contexto em que a privatização de setores estratégicos, a expansão do papel do mercado e a centralidade do capital privado na inovação – as receitas neoliberais, em suma – reconfiguraram profundamente as relações entre ciência, tecnologia, capital e poder. Esta nova forma de "génio neoliberal" apresenta-se como uma resposta às crises do presente e uma promessa de salvação que mais ninguém parece poder oferecer: carros elétricos para todos, naves espaciais reutilizáveis e colónias em Marte. Com a Tesla e a SpaceX, Musk não se limita a comercializar produtos, mas vende a promessa de um futuro supostamente sustentável e socialmente pacificado, baseado em soluções tecnológicas privatizadas e numa lógica de mercado intensamente extrativista. Um horizonte de redenção tecnológica porvir, cuja aparente iminência permite ignorar problemas muito mais concretos e prementes, ambientais, sociais e económicos, que, de resto, a ser levados a sério, implicariam reconfigurações políticas radicais.</p><p>Esta dinâmica é sustentada por um modelo que eleva o individualismo competitivo ao estatuto de virtude suprema, articulando o carisma individual, a narrativa de superação meritocrática e a capacidade de mobilizar capital e inovação tecnológica como motores exclusivos do progresso. Os protagonistas desse cenário – Musk, Zuckerberg, Bezos, etc. – não são meros líderes empresariais, mas símbolos de uma nova ideologia que sacraliza o mercado e apresenta a iniciativa privada como derradeira solução universal para problemas coletivos. A competição e o sucesso individual são celebrados não apenas como meios para o progresso económico, mas como valores morais em si mesmos. A nomeação de Elon Musk para liderar o recém-criado Departamento de Eficiência Governamental, juntamente com Vivek Ramaswamy, e a escolha de outro empreendedor milionário, Jared Isaacman, como novo diretor da NASA, vem consolidar um momento decisivo – talvez até conclusivo – no processo de convergência entre o poder político e o empreendedorismo tecnológico.</p><p>O centro da agência decisória passa assim dos mecanismos de legitimação da democracia representativa tradicional para as dinâmicas do mercado e do poder corporativo, onde decisões cruciais sobre o futuro coletivo são capturadas por interesses privados e pela lógica da acumulação de capital. Enquanto serviços públicos e direitos fundamentais são precarizados e privatizados, qualquer preocupação com o "bem comum" é substituída por uma fé cega nas virtudes do empreendedorismo individual e da competição de todos contra todos.</p><p>Por outro lado, foi pelo menos desde a crise de 2008 que as estratégias neoliberais revelaram a sua incapacidade em produzir qualquer resultado para além da concentração de riqueza sem precedentes, do aumento da desigualdade e da expansão da precariedade laboral, enquanto as promessas de eficiência, inovação e prosperidade compartilhada se revelaram como mera retórica ao serviço da acumulação de riqueza. É neste contexto de crescente frustração pela desigualdade e exclusão que a trajetória de Musk se torna ainda mais significativa: a sua gestão da plataforma X (antigo Twitter) ilustra como a promessa tecnológica futurista se funde agora com a mobilização do descontentamento e das ansiedades pelas narrativas autoritárias da nova direita. Sob a sua liderança, o discurso da liberdade de expressão é habilmente reutilizado para alimentar o ressentimento e reforçar um modelo de governança corporativa em que a retórica salvacionista da inovação tecnológica flirta abertamente com a desinformação e o ódio racial.</p><p>Os arautos do neoliberalismo, incapazes de oferecer soluções efetivas para o descontentamento gerado pelo aumento da desigualdade, a exclusão dos processos de deliberação e a ansiedade face ao futuro – que eles próprios contribuíram para produzir – mobilizam-no, alimentando pulsões etnonacionalistas e autoritárias. Num curto-circuito diabólico, este "Frankenstein Neoliberal" (como diria Wendy Brown), funde assim a exaltação retórica da liberdade individual com a nostalgia de uma estrutura social “segura”, isto é, claramente hierarquizada do ponto de vista racial e de género.</p><p>A trajetória de Elon Musk revela assim muito mais do que talentos e contradições individuais: ela expõe a evolução de um projeto político e económico que, ao sacralizar o mercado e demonizar a ação coletiva, preparou o terreno para a sua própria mutação autoritária. “Génio” empreendedor que promete colonizar Marte com os seus vaivéns espaciais, enquanto promove a colonização de um espaço público já fragilizado com retóricas de ódio, Musk personifica a parábola terminal do neoliberalismo: quando a “liberdade de mercado” se funde definitivamente com a nostalgia de uma ordem autoritária. Reconhecer esta dinâmica implica não apenas apontar às responsabilidades individuais, mas sim compreender que qualquer alternativa real passa necessariamente pela recuperação da capacidade de pensar e construir um projeto de vida em comum.</p><p class="meta">Publicado aqui: <a href="https://www.publico.pt/2025/01/05/opiniao/opiniao/elon-musk-parabola-genio-211762" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Público (2025-01-05)</a></p>]]></description>
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<item>
<title>O &quot;icebreaker&quot; perfeito para conversas em família na quadra festiva: ...</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-12-24-044401-o-icebreaker-perfeito-para-conversas-em-familia-na-quadra-festiva.html</link>
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<pubDate>Tue, 24 Dec 2024 04:44:01 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[O "icebreaker" perfeito para conversas em família na quadra festiva: cerca de 54,5% do saldo positivo da Segurança Social até agosto de 2024 é devido às contribuições dos imigrantes, que representam 7% da população. Os imigrantes contribuem aproximadamente 5,8 vezes mais do que recebem em prestações sociais. 🌟🎄🎁🎅]]></description>
</item>
<item>
<title>A minha filha fez 10 anos hoje e acordou de péssimo humor</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-12-20-23347-a-minha-filha-fez-10-anos-hoje-e-acordou-de-pessimo-humor.html</link>
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<pubDate>Fri, 20 Dec 2024 02:33:47 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[A minha filha fez 10 anos hoje e acordou de péssimo humor. Disse-lhe que ainda é um bocado cedo para ficar rabugenta no dia do aniversário, até porque ela provavelmente ainda tem mais uma boa década antes do colapso climático total.]]></description>
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<title>« There&#x27;s something like 13 million phones thrown out every day</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-12-08-110530-theres-something-like-13-million-phones-thrown-out-every-day.html</link>
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<pubDate>Sun, 08 Dec 2024 11:05:30 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« There's something like 13 million phones thrown out every day, which is a crazy, mind-boggling number. And if you think about that in aggregate, it's that we're all replacing these things every two or three years. Even though they are incredibly advanced and expensive, and in some ways almost the pinnacle of our industrial capability as a civilization, they are basically throwaway objects. And so, I look at that and I think, that's really broken, that's broken across every possible way that you can look at it. »]]></description>
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<title>Fun fact: A expressão «limpeza étnica» é uma tradução direta da frase</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-12-03-55731-fun-fact-a-expressao-limpeza-etnica-e-uma-traducao-direta-da-frase.html</link>
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<pubDate>Tue, 03 Dec 2024 05:57:31 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Fun fact: A expressão "limpeza étnica" é uma tradução direta da frase servo-croata "etničko čišćenje", que foi utilizada por várias facções envolvidas nas guerras dos Balcãs para descrever a remoção deliberada e sistemática de grupos étnicos ou religiosos de territórios específicos.<ul class="list"><li><a href="https://www.reuters.com/world/middle-east/former-israeli-defense-minister-yaalon-warns-ethnic-cleansing-gaza-2024-12-01/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Desconfiança nas ciências, desigualdade e participação</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/desconfianca-nas-ciencias.html</link>
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<pubDate>Sun, 01 Dec 2024 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[A instalação de indivíduos que basearam a sua carreira política na promoção de crenças negacionistas e anticientíficas no governo do país mais desenvolvido do planeta é motivo de espanto e preocupação. As pessoas que o Presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, nomeou para posições estratégicas parecem reivindicar a ignorância, o desprezo pela evidência científica e a arbitrariedade como bandeiras de que se orgulhar. Continua a ser importante promover o conhecimento do que as ciências fazem – não só nos seus resultados, mas também nas suas formas de funcionamento (muitas vezes distintas entre diferentes áreas): como se lida com a incerteza, como se chega a um consenso, como as suas investigações são financiadas, etc. No entanto, é também importante não reduzir o apoio que figuras sinistras como Robert F. Kennedy Jr. e outros obscurantistas receberam a um simples reflexo de um analfabetismo científico subjacente. Não há dúvida de que a extensa e bem oleada máquina de comunicação usa a desinformação da maneira mais cínica possível com objectivos puramente demagógicos. Estudos realizados na última década mostram, porém, que a falta de confiança na ciência e suas instituições está correlacionada de forma muito mais consistente com a desigualdade social do que com o nível de instrução da população. Uma análise da relação entre o índice de Gini, que mede a desigualdade na distribuição de rendimentos (quanto mais baixo, melhor), e a confiança no conhecimento científico, baseada em dados do World Bank e do Wellcome Global Monitor, revela um padrão muito regular: países mais igualitários tendem a revelar maior confiança nas ciências e nos seus representantes. A correlação com o nível de instrução médio, calculado em termos de anos de escolaridade, é, pelo contrário, bastante menos robusta. Dito de outra forma, a relação entre a desigualdade de rendimentos e a confiança nas instituições científicas tem maior poder explicativo do que a relação com o nível médio de educação (entre 30 a 50% mais forte, dependendo do conjunto de países analisados). E há outra variável que também possui maior poder “preditivo” do que a literacia científica: a medida em que os cidadãos sentem que podem (ou não) intervir nas decisões políticas. Mesmo reconhecendo tratar-se de uma dimensão não fácil de medir, dados do World Values Survey e do Edelman Trust Barometer sugerem de forma consistente que nos países onde os cidadãos mais sentem que podem participar nas decisões políticas, há maiores níveis de acolhimento dos discursos da ciência, e vice-versa. O que os promotores da desinformação e das teorias da conspiração estão a manipular, por consequência, não será tanto a iliteracia científica das pessoas, mas sim a desigualdade e a exclusão (de forma paradoxal, diga-se de passagem, sendo muitas vezes eles próprios expressão das forças políticas e económicas mais directamente responsáveis pelo aumento da desigualdade e pelo desmantelamento da participação democrática...). A desconfiança na ciência não pode ser dissociada das condições sociais e políticas que moldam uma sociedade e, embora a educação continue a ser fundamental, ela não resolve por si só o problema da desconfiança e tampouco pode servir de álibi. Restaurar a confiança na ciência exige também atacar as raízes da crescente desigualdade socioeconómica e garantir que as decisões políticas com um impacto mais directo na vida de todos nós sejam justas e participativas. Confiança na ciência e nos cientistas, participação política e justiça social são indissociáveis.]]></description>
</item>
<item>
<title>I think Gemini may have a point.</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-11-19-103742-i-think-gemini-may-have-a-point.html</link>
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<pubDate>Tue, 19 Nov 2024 10:37:42 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[I think Gemini may have a point. Se os seres humanos chegaram ao ponto de precisar da IA para responder a perguntas como "o abuso por parte de cuidadores pagos é um problema grave ou não? ", então mais vale por-se a andar.<ul class="list"><li><a href="https://gemini.google.com/share/6d141b742a13" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Just so you know</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-11-14-111911-just-so-you-know.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2024-11-14-111911-just-so-you-know.html</guid>
<pubDate>Thu, 14 Nov 2024 11:19:11 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Just so you know
O "Centro para a IA responsável", que recebeu 80 Milhões de euros do PRR para "evitar os danos da IA" e que irá participar no desenvolvimento do novo e tão aguardado XatGêPêTê culturalmente correcto, é formado por:
- 11 startups: Unbabel, Feedzai, Sword Health, Apres, Automaise, Emotai, NeuralShift, Priberam, Visor ai, YData e YooniK
- 8 oito centros de investigação: Fundação Champalimaud, IST, INESC-ID, IST-ID/ISR, IT, FEUP, Fraunhofer Portugal AICOS e CISUC
- 1 uma sociedade de advogados: Vieira de Almeida
- 5  empresas das áreas da Ciências da Vida, Turismo e Retalho: BIAL, Centro Hospitalar de São João, Luz Saúde, Grupo Pestana e SONAE
Quem melhor para avaliar questões éticas, sociais, ambientais e políticas do que cientistas, engenheiros, empresários e advogados? Pena que o Elon Musk já esteja tão ocupado.]]></description>
</item>
<item>
<title>« À Exame Informática, Bruno Castro, fundador e diretor executivo</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-10-14-101201-a-exame-informatica-bruno-castro-fundador-e-diretor-executivo.html</link>
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<pubDate>Mon, 14 Oct 2024 10:12:01 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« À Exame Informática, Bruno Castro, fundador e diretor executivo da Visionware, explica que “em termos práticos, e visto que somos todos ‘interlocutores’ com a AMA, a probabilidade de virmos todos a ser alvos de ações de phishing – mais ou menos evoluídas – é extremamente elevada”.
Por esse motivo, “é fundamental que todos nós elevemos o nosso nível de alerta para possíveis tentativas de fraude via phishing ou outro método ainda mais evolutivo, até recorrendo a engenharia social”, realça. Nas palavras do responsável, é também necessário aguardar que a AMA forneça informação mais detalhada sobre o sucedido e sobre que tipo de dados estarão em causa para “percebermos quais as possibilidades de ações maliciosas sobre todos nós”. »<ul class="list"><li><a href="https://visao.pt/?p=2173471" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>« A ironia é que a melhor política é não ter fronteiras</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-06-05-024245-a-ironia-e-que-a-melhor-politica-e-nao-ter-fronteiras.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2024-06-05-024245-a-ironia-e-que-a-melhor-politica-e-nao-ter-fronteiras.html</guid>
<pubDate>Wed, 05 Jun 2024 02:42:45 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« A ironia é que a melhor política é não ter fronteiras. Parece muito contra-intuitivo, mas sabemos pela História que, quando não há fronteiras, as pessoas entram e saem. A ironia do controlo de fronteiras apertado é que se encoraja as pessoas a ficarem. Não é que ficar seja mau, mas o problema é que a maioria dos imigrantes gostaria de regressar aos seus países. Se houver trabalho, as pessoas virão, legal ou ilegalmente, porque não há vontade dos governos de fazer alguma coisa – existem lobbies económicos muito fortes para não fazer nada contra a exploração dos trabalhadores migrantes ou contra o trabalho ilegal, porque todos sabemos que é muito conveniente, prestam serviços baratos, nomeadamente aos sectores empresariais. »<ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2024/04/22/sociedade/entrevista/politicos-sao-imigracao-sao-nao-punem-explora-2087618" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>« Nearly two-thirds of women currently working in STEM cited Scully</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-05-31-081216-nearly-two-thirds-of-women-currently-working-in-stem-cited-scully.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2024-05-31-081216-nearly-two-thirds-of-women-currently-working-in-stem-cited-scully.html</guid>
<pubDate>Fri, 31 May 2024 08:12:16 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Nearly two-thirds of women currently working in STEM cited Scully as a major influence on their decision to pursue a STEM career.» [via @[1524649359:2048:Mike Delta]]
A meu ver confirma que, mais do que qualquer conversa (que continua importante claro) não há nada como entrar no jogo de identificações e expectativas. Por exemplo: no ano passado a minha filha, 8 anos na altura, ficou espantada por ver a nacional feminina de futebol no telejornal. Não tanto o facto de haver uma nacional feminina de futebol, mas da nacional feminina passar no telejornal em horário nobre. Literalmente espantada, tipo, "o quê, no telejornal?!". Desde então de vez em quando quis dar uns toques na bola, mas assim muito ocasionalmente. Há duas semanas, ela e um par de colegas (meninas) exigiram de poder participar no futebol das terças-feiras no recreio da escola, até lá praticamente monopólio exclusivo dos meninos (que aliás muito resistiram à novidade).<p>Será uma coincidência? Estou em crer que não.</p><ul class="list"><li><a href="https://theastoundinganalogcompanion.com/2018/08/21/the-scully-effect/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Embora não seja inteiramente surpreendente</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2024-03-06-120854-embora-nao-seja-inteiramente-surpreendente.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2024-03-06-120854-embora-nao-seja-inteiramente-surpreendente.html</guid>
<pubDate>Wed, 06 Mar 2024 12:08:54 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Embora não seja inteiramente surpreendente, o resultado é pior do que estava à espera. Certa altura o artigo faz um comentário um bocado parvo, que considerando o resto do texto até soa fora de lugar. Apresentar a questão como sendo uma divergência entre geólogos e não geólogos é completamente despropositado. A proposta foi elaborada por geocientistas e para geocientistas, pelo que o desacordo é aqui essencialmente interno às ciências da terra ("stratigraphers, a conservative bunch of geologists", como diria a Francine McCarthy). Seja como for, já vejo os meus amigos negacionistas a esfregar as mãos, e quem considera que o debate sobre o Antropocénico continua a ser produtivo, como eu, terá que se habituar a este tipo de discurso durante algum tempo. And a big shout out to the Anthropocene Working Group!<p>💚</p><ul class="list"><li><a href="https://www.nytimes.com/2024/03/05/climate/anthropocene-epoch-vote-rejected.html?auth=login-google1tap&amp;login=google1tap&amp;smid=url-share&amp;unlocked_article_code=1.aU0.b2Ag.EdNlTI4oneVq" rel="noopener noreferrer" target="_blank">https://www.nytimes.com/2024/03/05/climate/anthropocene-epoch-vote-rejected.html?auth=login-google1tap&amp;login=google1tap∣=url-share&amp;unlocked_article_code=1.aU0.b2Ag.EdNlTI4oneVq</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>O que é a Mediterranea Saving Humans?</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-12-02-071450-o-que-e-a-mediterranea-saving-humans.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2023-12-02-071450-o-que-e-a-mediterranea-saving-humans.html</guid>
<pubDate>Sat, 02 Dec 2023 07:14:50 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[O que é a Mediterranea Saving Humans? O que é a Mar Jónio? Porque é que é necessária uma frota civil no Mediterrâneo? O que fazem as equipas de terra? Como é que posso apoiar a Mediterrânea a partir de Lisboa? Responderemos a estas e muitas outras perguntas!<p>Será possível aderir à Med.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title>« Eid Jahalin enumera os dos últimos dias</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-11-04-104645-eid-jahalin-enumera-os-dos-ultimos-dias.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2023-11-04-104645-eid-jahalin-enumera-os-dos-ultimos-dias.html</guid>
<pubDate>Sat, 04 Nov 2023 10:46:45 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Eid Jahalin enumera os dos últimos dias – Jenin, Nablus, Qalandiya, Budrus, a oeste de Ramallah – e a idade dos mortos – 17 anos, 23 anos. “Mesmo em Ramallah”, sublinha. “Nem os soldados da Autoridade Palestiniana fizeram nada.” Depois, Jahalin enumera algumas das comunidades expulsas pelos colonos e as casas incendiadas e os beduínos feridos [...] Entre os quase 300 habitantes de Khan al-Ahmar, há 89 crianças com menos de seis anos e até já houve uma creche, “uma creche linda construídas por freiras que trabalhavam connosco". "As crianças foram, aprenderam, brincaram, e um mês depois o Exército demoliu tudo”, recorda. “Agora, vão construir uma universidade para os colonos, ali, onde está a estação de serviço”, aponta. “Mas tiveram de demolir a minha creche.” [...] “Daqui a um ano, dois anos, três anos, todas as pessoas aqui vão apoiar o Hamas”, afirma, falando da Cisjordânia.<p>“E as minhas crianças também.”</p><ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2023/11/04/mundo/noticia/daqui-ano-dois-anos-tres-anos-pessoas-aqui-vao-apoiar-hamas-2069045" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Definir o Antropocénico (com Hugo Noronha de Almeida)</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/definir-o-antropocenico.html</link>
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<pubDate>Mon, 18 Sep 2023 00:00:00 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Em 2000, o Nobel da Química Paul Crutzen popularizou a ideia de que o impacto das sociedades industriais no planeta teria dado azo ao fim do Holocénico, a época geológica cuja relativa estabilidade climática permitiu o desenvolvimento das civilizações humanas. Estaríamos então, agora, no Antropocénico, uma nova Época determinada pela actuação do ser humano a uma escala geológica. A investigação levada a cabo pelo Anthropocene Working Group (AWG – em português: Grupo de Trabalho do Antropocénico), criado em 2009 no âmbito da Subcomissão para a Estratigrafia do Quaternário, corrobora a hipótese do Antropocénico. Numa conferência de imprensa realizada no dia 11 de Julho deste ano, o AWG anunciou o Lago Crawford, no Canadá, como candidato a estratotipo do Antropocénico, ou seja, como seu local de referência. Trata-se de um passo fundamental para a possível inclusão da nova Época na Tabela Cronoestratigráfica, num percurso que tem sido longo e ainda muito incerto. Em 2016, o AWG definiu o plutónio como marcador primário do Antropocénico e principal indício do seu começo. Libertado pelos testes nucleares de superfície, o plutónio existe de forma síncrona e clara nos sedimentos analisados a nível planetário. Outros marcadores, secundários, cuja expressão pode variar de local para local, foram também identificados, nomeadamente: resíduos da queima de combustíveis fósseis, microplásticos e diferenças na composição dos ecossistemas. No seu conjunto, estes marcadores levam a crer que o Antropocénico começou na década de 1950. Durante a última década, houve outras propostas quanto ao início do Antropocénico. Entre elas, contam-se a invenção da máquina a vapor, por ter permitido a exploração industrial de combustíveis fósseis, ou a chegada dos europeus às Américas, que levou à morte de milhões de ameríndios e, consequentemente, a uma queda abrupta nas actividades de corte e queima naquele continente, identificável no registo geológico. Estas propostas levantam questões importantes sobre a relação entre as ações humanas e o planeta. Porém, formalmente, o que se pretende averiguar é se os efeitos da atividade humana constarão do registo geológico no futuro – à semelhança, por exemplo, de sermos hoje capazes de identificar as transformações que levaram ao desaparecimento dos dinossauros. </p><p>Introduzir o Antropocénico na Tabela Cronoestratigráfica não se resume, portanto, a demonstrar que ocorreram alterações planetárias de origem humana, mas também a garantir que essas alterações ficam documentadas no registo geológico. Na sequência de uma fase de discussão entre equipas de investigação e membros do AWG, foram 9 os locais candidatos a estratotipo que chegaram à votação cujo resultado foi anunciado no mês passado. O processo não tinha como objectivo determinar qual desses pontos de referência é mais “verdadeiro”, mas antes seleccionar o candidato em que a transição de uma Época para a outra é mais clara. O eleito lago Crawford foi estudado por uma equipa da Brock University sob a direcção da Professora Francine McCarthy. Segundo o AWG, os seus sedimentos mostram de forma mais expressiva a transformação radical que a Terra começou a sofrer a partir da década de 1950. O AWG irá agora definir o ano exacto em que o Antropocénico  se torna visível no lago Crawford, e quais os locais auxiliares que melhor corroboram os seus dados. De seguida, apresentará a proposta formal de adoção do Antropocénico à Subcomissão de Estratigrafia do Quaternário, provavelmente ainda este ano. Caso esta dê um parecer positivo, a candidatura será avaliada pelo órgão superior, a Comissão Internacional de Estratigrafia e, por fim, ratificada pela União Internacional das Ciências Geológicas. No entanto, o conceito de Antropocénico tem consequências que vão muito além da “jurisdição” das ciências da Terra. A ideia de que os seres humanos (ou, mais concretamente, as sociedades industriais) são capazes de transformar as dinâmicas vitais da Terra tem também consequências políticas. Ao colocar o ser humano no centro da discussão, o Antropocénico chama a atenção para o nosso impacto coletivo sobre o planeta e a ameaça existencial que isso representa. Nesse sentido, corre o risco de ocultar a responsabilidade de actores particulares no seio de sociedades altamente estratificadas. A tensão entre essas duas questões resultou numa discussão que inclui não só a geologia e as ciências dos sistemas da Terra, mas também as humanidades, as ciências sociais e as artes. É curioso como o processo de validação científica de uma época geológica – tema aparentemente desligado de questões socialmente prementes – passou a ser seguido como um caso judicial mediático. Aliás, esta analogia justifica-se dadas as instâncias hierárquicas que a formalização do processo ainda implica. É um “julgamento” que põe em causa as convenções de uma área científica geralmente voltada para o passado profundo e não para o presente, mas também a separação entre natureza e cultura – e, consequentemente, a própria ideia de política, tradicionalmente limitada a relações de poder e processos de decisão entre humanos, agora obrigada a acomodar “negociações” com a Terra. <p>Independentemente do seu resultado, é importante sublinhar que o processo de ratificação do Antropocénico não pretende provar que a atividade humana alterou os sistemas da Terra. O que está em causa é perceber se essa transformação é legível na estratigrafia do nosso planeta. Embora o Antropocénico não tenha ainda sido formalmente aceite, o conceito já abriu diálogos entre disciplinas onde processos físicos e sociais se implicam mutuamente. As crises em curso não podem ser resolvidas mediante soluções técnicas que não tenham em conta os processos históricos e as formas de exploração social e ambiental que estão na base do problema. A pressão para a exploração de lítio, essencial nos atuais planos de transição energética, mas cuja mineração tem consequências ambientais locais significativas, é um exemplo de como as soluções apresentadas continuam a perpetuar injustiças tornadas invisíveis por ópticas tecnocráticas. Por isso mesmo, é preciso contestar a atomização das disciplinas. A escala espacial e temporal do Antropocénico  exige a integração dos domínios do “humano” e da “natureza”, que agora se revelam como sendo empiricamente indistinguíveis. A ideia de que os sistemas humanos estão a agir como força geológica exige integrar a perspectiva das ciências naturais com a das ciências sociais e humanas, a dos activistas com a das populações, numa ética de partilha entre disciplinas e entre a academia e a sociedade. Independentemente da passagem do Holocénico para o Antropocénico ser oficializada no calendário geológico, o planeta mudou e vai continuar a mudar. Essa mudança exige uma resposta colectiva e justa, sustentada por múltiplos pontos de vista e com especial consideração pelos grupos sociais e ecossistemas que mais sofrem as suas consequências, para que possamos evitar a catástrofe de uma extinção em massa.]]></description>
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<title>Sobre as vantagens de ter um pai filósofo</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-08-06-170729-sobre-as-vantagens-de-ter-um-pai-filosofo.html</link>
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<pubDate>Sun, 06 Aug 2023 17:07:29 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Sobre as vantagens de ter um pai filósofo.<br/><br/>Adulto: Vá, toma lá a escova e penteia-me esse cabelo.<br/><br/>Menina com 8 anos: Porquê?<br/><br/>[Silêncio]<br/><br/>Adulto: Pois, de facto...]]></description>
</item>
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<title>Adulto: &quot;Então no verão, além da semana da ginástica</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-06-22-111302-adulto-entao-no-verao-alem-da-semana-da-ginastica.html</link>
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<pubDate>Thu, 22 Jun 2023 11:13:02 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Adulto: "Então no verão, além da semana da ginástica, queres fazer outra atividade tipo não sei, natação ou construir coisas giras na natureza ou atividades artísticas?"<br/><br/>Menina com 8 anos: "E não há um curso para ser hacker?"<br/><br/>🥰]]></description>
</item>
<item>
<title>Aquele menino quis tocar a tua cara por ser cego</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-03-08-101750-aquele-menino-quis-tocar-a-tua-cara-por-ser-cego.html</link>
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<pubDate>Wed, 08 Mar 2023 10:17:50 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Aquele menino quis tocar a tua cara por ser cego, diz o adulto ao miúdo sentado na sanita, encurvado e com a cabeça apoiada nos joelhos, a fazer xixi. Viste que ele disse, Posso conhecer-te? Uma pessoa cega para conhecer uma cara toca com os dedos, assim fica a saber como é a tua cara. É um superpoder, diz o menino. Sim, é verdade, diz então o adulto, é um superpoder. De facto, por exemplo, no escuro, safa-se melhor do que eu e tu.<p>Mas o que é que ele está aqui a fazer?, pergunta o miúdo levantando a cabeça. Bem, se está aqui, também deve estar a fazer químio ou algum outro tratamento, enfim, também deve estar a tratar um tumor. Então tem dois, diz o miúdo, tem dois superpoderes.</p>]]></description>
</item>
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<title>Menina com 8 anos: &quot;Pode-se ser duas coisas?&quot;.</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-03-04-114339-menina-com-8-anos-pode-se-ser-duas-coisas.html</link>
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<pubDate>Sat, 04 Mar 2023 11:43:39 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Menina com 8 anos: "Pode-se ser duas coisas?".<br/><br/>Adulto: "Como assim, duas coisas?".<br/><br/>Menina com 8 anos: "Sim, duas coisas. Eu quero ser ginasta, não é, mas também gosto muito de pintar. Pode-se ser ginasta e também pintora?".<br/><br/>Adulto: "Ah. Sim, claro".<br/><br/>Menina com 8 anos: "Ah, boa".<br/><br/>Adulto: "Podes ser três coisas até, se quiseres".<br/><br/>Menina com 8 anos: "Não, não. Duas está bom".]]></description>
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<title>« Se a classe média não existe</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-02-26-061836-se-a-classe-media-nao-existe.html</link>
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<pubDate>Sun, 26 Feb 2023 06:18:36 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Se a classe média não existe, se de facto nunca existiu senão enquanto ilusão temporária, então é necessário abandonar as formas de fazer política que a colocam em local central, que colocam a sua cultura de mediação e de representação no âmago do confronto político, que colocam o seu imaginário de compromisso social enquanto estrutura de todas  as demandas e exigências. (...) A política a construir será uma política feita através desta fragmentação do sujeito “ideal” do capitalismo e do colapso desse ideia hegemónica de classe média. É necessário construir instituições, construir poder, construir mecanismos de intervenção. Mas esses terão de ser determinados pelos interesses e necessidades imediatos dos que sofrem essa proletarização em curso. Essas formas de poder não deverão disputar que controla as formas de poder existentes mas criar novas formas de poder, novas formas de comunicação, novas formas de organização, novas formas de habitação, novas formas de ecologia »<ul class="list"><li><a href="https://www.revistapunkto.com/2023/02/notas-sobre-as-lutas-que-se-aproximam.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Pontos de gratidão, disse o miúdo</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-02-18-123424-pontos-de-gratidao-disse-o-miudo.html</link>
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<pubDate>Sat, 18 Feb 2023 12:34:24 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Pontos de gratidão, disse o miúdo sentado num dos cadeirões cinzento-azul do Hospital de Dia. Devia ter dez, onze anos no máximo, e uns minutos antes tinha perguntado à enfermeira como se faziam as plaquetas da transfusão que ia receber. Sem desviar os olhos das saquetas e tubinhos que ia organizando com movimentos rápidos e medidos, verificando cada passagem uma e outra vez, a enfermeira explicara que não, as plaquetas não se podiam fazer, são retiradas do sangue que as pessoas vêm dar, os dadores. Há umas máquinas, dissera, que pegam no sangue que os dadores deram e separam certas partes, como o plasma ou as plaquetas, que depois são dados a quem mais precisa de uma coisa ou de outra. Não com dinheiro, continuou o miúdo sem se dirigir a ninguém em particular, as pessoas deveriam ser pagas com pontos de gratidão. Quem faz coisas boas para os outros ganha pontos, quem não faz não ganha.<p>Assim era mais justo. E assim acabavam também as guerras, concluiu, num tom menor, como para si mesmo.</p>]]></description>
</item>
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<title>Depois há os olhares de muda reciprocidade dos cães na rua</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-02-11-022054-depois-ha-os-olhares-de-muda-reciprocidade-dos-caes-na-rua.html</link>
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<pubDate>Sat, 11 Feb 2023 02:20:54 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Depois há os olhares de muda reciprocidade dos cães na rua. De alguns entre eles pelo menos. Os gatos, esses, já não saberia dizer. De qualquer forma, apesar de poder haver limites como que universais na duração de um olhar direto entre seres humanos, parece-me fora de discussão que há variações locais importantes. Quando volto à Itália, como aconteceu ainda recentemente, eu, expatriado que passo os meus dias a lamentar a expedita frieza dos contactos ocasionais nas ruas de Lisboa, ao cruzar os olhares diretos – e para mim, agora, algo demorados – da senhora a sair do supermercado ou do jovem sentado na esplanada, sinto algum desconforto. O que é que quererá dizer, pergunto-me, aquele olhar que parece ter-se demorado nos meus olhos um pouco mais do que, por alguma regularidade inscrita em lugar nenhum mas não por isso menos premente, seria de esperar?<p>Será que o veludo das minhas calças já está gasto além do que seria de considerar aceitável? Será que lhe lembro alguém conhecido? Será que o contínuo remexer dos meus pensamentos – e dos meus desejos – dá ao meu rosto um certo ar de tresloucado?</p>]]></description>
</item>
<item>
<title>Ecco, Marco Fanton, finito di leggere Works, di Vitaliano Trevisan</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2023-02-04-014847-ecco-marco-fanton-finito-di-leggere-works-di-vitaliano-trevisan.html</link>
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<pubDate>Sat, 04 Feb 2023 01:48:47 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Ecco, Marco Fanton, finito di leggere Works, di Vitaliano Trevisan. Un libro magnifico, non vedevo l'ora di tornarci anche se, a differenza di tanti altri, non sono mai riuscito a leggerlo tipo in una sala d'attesa o su una panchina al parco. Non in pubblico insomma, ma quasi sempre a casa e "in perfetta solitudine", come dice la canzone. La parola "Fin!" nell'ultima pagina lascia una certa amarezza, ma allo stesso tempo mi è rimasta come una specie di energia, un po' rabbiosa, che tutte quelle riflessioni di estrema lucidità, a volte persino crudele, sulle nostre vite, i nostri affetti, i nostri lavori e le nostre città, hanno come risvegliato. La descrizione delle magnifiche imprese del nord-est come autentici "feudi", a trarre profitto molto più sullo sfruttamento di chi pare non avere alternative alla rassegnata sottomissione che non su una cosiddetta e tutta apparente "efficienza" e "modernità". E l'intreccio inestricabile ma sempre inquieto tra la vita e il lavoro, in costante cambiamento entrambi, in fondo.<p>Quell'aggiunta finale, "ampliamento", che inizia appunto con quei pensieri sul suicidio, dir la verità mi ha fatto sentire un certo odore di cannibalismo, di sfruttamento commerciale della morte dell'autore. Metti che sia inevitabile, e gli avrebbe senza dubbio suscitato più di un sorriso sarcastico. Bellissimi comunque poi quei passaggi su Cavazzale e la parabola storica delle "città sociali". Quando stavo a San Pio X, da piccolo, al piano terra c'era un laboratorio orafo e altri tre nel raggio di trecento metri, in piena zona residenziale, e tutti nel frattempo scomparsi. E poi metti che per me, da espatriato, sia anche un po' riprendere un contatto sempre difficile con l'origine, appunto, che l'autore definisce, e con il tempo mi son reso conto di quanto sia vero, come "un vestito che non si smette mai". E poi vabbé, sul suicidio, anche prima di quelle ultime pagine, difficile non sentirlo sottotraccia.</p><p>Mi son trovato un po' diviso tra riconoscere all'autore, como a chiunque altro del resto, il diritto ad una rinuncia totale, di fronte ad un'esistenza intollerabile. Allo stesso tempo però, rimane la rabbia per una fine che senti comunque prematura e, forse, evitabile, date le circostanze orribili, come lo sono sempre, del ricovero coatto che ha preceduto la sua morte.</p>]]></description>
</item>
<item>
<title>Declaration of Support for the Lisbon Climate Strike Students on Trial</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2022-11-29-102904-declaration-of-support-for-the-lisbon-climate-strike-students-on-trial.html</link>
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<pubDate>Tue, 29 Nov 2022 10:29:04 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Declaration of Support for the Lisbon Climate Strike Students on Trial
More power to the Portuguese students and global Climate Strike movement! Everyone should go on strike, not just students! When many of us protested against acid rain, whaling and nuclear weapons in the 70s and 80s, we knew these things were bad and needed changing, but that did seem at least doable. Climate change was almost not discussed then. Maybe it never seemed urgent enough – or perhaps it was just too complex, or as it turns out, a lot of evidence was being hidden from us. It must make you rightfully angry to have grown up now during a time when global climate change and all the terrible consequences associated with it have been known about for decades, yet the same old push for growth and use of fossil fuels has never really relented.<p>It makes us angry too. On top of that, respectable, well-educated people in power seem to have been complicit in going along with it all for decades. It must be discouraging. And still you have politicians and administrators who openly say that if you go along with climate strikes and any form of anti-growth protests for a fairer world, a global justice agenda, you are pretty much an enemy of the state. As your José Saramago once said “There are plenty of reasons not to put up with the world as it is” – and wanting a less damaged planet to live on really should not be such a big ask. You are not alone!</p><p>The undersigned support your right to draw attention to this global issue. Fill this form to sign this declaration:
#nãoestãosozinhas
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1) Davide Scarso, Universidade Nova de Lisboa (Humanities and Social Sciences)
2) Francine McCarthy, Brock University (Earth Sciences, Biological Sciences and Environmental Sustainability)
3) Simon Turner, University College London (Geochemistry and Geochronology)
4) Christine Daigle, Brock University (Philosophy)
5) Lucio De Capitani, Ca' Foscari University, Venice (English Literature, Ecocriticism and Postcolonial Theory)
6) Megan Black, Haus der Kulturen der Welt, Berlin
7) Arianna Cecchetto, Haus der Kulturen der Welt, Berlin
8 ) Alejandro Cearreta, Universidad del País Vasco UPV/EHU (Geology)
9) Jan Zalasiewicz, University of Leicester (Palaeobiology)
10) Hugo Noronha de Almeida, Universidade Nova de Lisboa (Arts, Humanities, Biological Sciences)
11) Melissa McCarthy
12) Tina Asmussen, Ruhr University of Bochum, History Department, Bochum (Germany)
13) Michael Wagreich, Department of Geology, University of Vienna, Austria
14) Georg Schäfer, Haus der Kulturen der Welt, Berlin
15) Mariana Pinto dos Santos, Art History Institute – Universidade Nova de Lisboa (Art History, Humanities, Literature)
16) Hugo Silveira Pereira, Universidade NOVA de Lisboa (History of Technology)
17) Ivo Miguel da Silva Louro, CIUHCT / FCT-NOVA (History, Sound Art, Sound Studies)
18) Maria Luísa de Castro Coelho de Oliveira e Sousa, Universidade NOVA de Lisboa (FCT, DCSA), CIUHCT (History of Technology)
19) Julia Adeney Thomas, Department of History, University of Notre Dame, USA
20) André Pereira, Universidade Nova de Lisboa (PHD Student, Architecture, History of Technology)
21) Isabel Maria da Silva Pereira Amaral, Universidade NOVA de Lisboa (History of Science and Medicine, Bioethics)
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Source of the Saramago quote:
More info on the Lisbon Climate Strike and trial:
[Google translation]</p><ul class="list"><li><a href="https://cryptpad.fr/form/#/2/form/view/Gibv5v1JA8flvyT-hISZTHRUkQAJYHi-zE7gDJoH1g4/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li>
<li><a href="https://www.theguardian.com/books/2006/apr/30/fiction.features1" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li>
<li><a href="https://jornaleconomico-pt.translate.goog/noticias/clima-ativistas-detidos-na-faculdade-de-letras-vao-a-julgamento-dia-29-de-novembro-960634" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Menino com 11 anos: Papá, quando é que começa o século 22?</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2022-10-23-141645-menino-com-11-anos-papa-quando-e-que-comeca-o-seculo-22.html</link>
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<pubDate>Sun, 23 Oct 2022 14:16:45 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Menino com 11 anos: Papá, quando é que começa o século 22?<br/><br/>Adulto: Em 2100.<br/><br/>Menino: Ainda vou estar vivo nesta altura?<br/><br/>Adulto: Olha, se tudo correr bem e se comeres muita fruta em princípio sim.<br/><br/>Menino: Posso comer uma maçã?]]></description>
</item>
<item>
<title>Diplomacia Ontológica</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2022-08-29-022903-diplomacia-ontologica.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2022-08-29-022903-diplomacia-ontologica.html</guid>
<pubDate>Mon, 29 Aug 2022 02:29:03 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Diplomacia Ontológica
« Por exemplo, é muito triste ver meu pai, que é Kumu, e meus tios Kumuã serem chamados de benzedores, de curandeiros. Primeiro, que não tem essas categorias dentro do nosso conhecimento. Não tem noção de espírito, de sagrado. Não são nossos conceitos. São conceitos religiosos, dentro da lógica ocidental. E quando você pega essas categorias ou esses conceitos e aplica pra entender nossa cultura, você distancia, traduz de forma equivocada.<p>Daí vêm essas palavrinhas: sagrado, espírito, rezador, benzedor. Meu pai não é padre, não é freira, não é pastor, ele não está benzendo. [...] Para os Kumuã, estamos usando o termo especialistas indígenas. E usamos também medicina indígena, no lugar de termos como conhecimento tradicional, saberes, conhecimento milenar e tratamento alternativo.»</p><ul class="list"><li><a href="https://www.socioambiental.org/noticias-socioambientais/melhor-tese-do-pais-e-de-indigena-do-rio-negro-sou-fruto-de-uma-luta" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Há um equivoco fundamental, ou seja</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2022-02-13-110604-ha-um-equivoco-fundamental-ou-seja.html</link>
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<pubDate>Sun, 13 Feb 2022 11:06:04 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Há um equivoco fundamental, ou seja, que são as "ideias radicais" que radicalizam, como por uma espécie de contágio mental. Ignorando assim (o que também dá jeito a alguns) as condições materiais e sociais em que uma pessoa vive, que pelo contrário parecem-me factores essenciais, mesmo não sendo exclusivos.
O nosso 007 até diz isso: "Quem quiser radicalizar-se, pode fazê-lo". Exacto, mas – e sem entrar agora na profunda ambiguidade da própria noção de radicalização – o ponto fundamental é perceber porquê alguém quer "radicalizar-se". Com a motivação certa, pouco importa ser a Bíblia, um manual "anarquista" ou um mito urbano qualquer sobre alienígenas pedófilos sedentos de sangue.<ul class="list"><li><a href="https://sicnoticias.pt/pais/quem-quiser-radicalizar-se-pode-faze-lo-internet-tem-manuais-a-ensinar-a-fazer-bombas/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
<item>
<title>Resumindo, o rapaz falou dos seus planos de vingança</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2022-02-12-113337-resumindo-o-rapaz-falou-dos-seus-planos-de-vinganca.html</link>
<guid isPermaLink="true">https://davidescarso.github.io/notes/2022-02-12-113337-resumindo-o-rapaz-falou-dos-seus-planos-de-vinganca.html</guid>
<pubDate>Sat, 12 Feb 2022 11:33:37 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Resumindo, o rapaz falou dos seus planos de vingança num grupo Discord, e um dos membros achou melhor avisar o FBI que por sua vez informou a PJ. Ou seja, mais do que os super poderes jurídicos e tecnológicos da equipa do FBI que estuda as redes sociais e a famigerada "dark web", foram essas mesmas redes que impediram que o pior pudesse acontecer, ao próprio como a outros. Foi uma extrema tentativa de comunicação com os seus pares na rede, comunicação que já não conseguia ter na sua vida "presencial", que evitou desfechos mais trágicos: assassinatos de colegas, talvez, mas também um possível suicídio ou morte violenta do rapaz. Agora é de esperar que o jovem deixe de ser apontado como um monstro louco e radicalizado e que seja ajudado a sair do abismo onde as suas mágoas e a sua solidão o fizeram cair.<ul class="list"><li><a href="https://expresso.pt/sociedade/joao-o-psychoticnerd6116-planeava-uma-matanca-e-incendiar-o-bloco-3-da-faculdade-de-ciencias-as-13h20-desta-sexta-feira-tinha-macaricos-duas-latas-de-gas-butano-e-quatro-latas-de-combustivel-para/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
</item>
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<title>« Plus concrètement, et pour ne prendre qu’un seul exemple</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2021-12-24-063234-plus-concretement-et-pour-ne-prendre-quun-seul-exemple.html</link>
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<pubDate>Fri, 24 Dec 2021 06:32:34 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« Plus concrètement, et pour ne prendre qu’un seul exemple, en France, la stratégie politique du Rassemblement National n’est pas la modération via l’introduction d’éléments hybrides et la recherche d’une proximité avec le champ post-gaulliste, aujourd’hui macroniste, mais, au contraire, l’infiltration de ce dernier via l’introduction d’éléments de radicalisation qui seront les terrains du conflit électoral en cours et à venir. Autrement dit, la perspective est renversée : ce n’est pas la droite radicale qui devient petit à petit libérale pour gagner du terrain mais un libéralisme à bout de souffle qui intègre malgré lui le langage, les axes de pensée et les mots d’ordre du radicalisme.»<ul class="list"><li><a href="https://legrandcontinent.eu/fr/2021/12/23/le-fascisme-est-il-de-retour/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>A Política Não-Euclidiana.</title>
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<pubDate>Mon, 29 Nov 2021 05:35:25 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[A Política Não-Euclidiana.
"O debate em torno da distribuição de assentos foi motivação para o trabalho de Frederico Munõz, que analisou o resultado das votações de mais de 10 mil iniciativas parlamentares, desde o início da “Geringonça”. A intenção seria estabelecer entre os vários partidos um nível de proximidade que permitisse agrupá-los, “tendo em conta não o seu programa, não as suas afirmações públicas, mas o seu comportamento concreto naquilo que define a sua actividade parlamentar – as votações”. [...]  O Partido Socialita, que começa a preparar terreno para novas e antigas alianças, parece afastar-se dos parceiros de esquerda, que viabilizaram a solução governativa em 2015. A clivagem torna-se significativa a partir de 2018, altura em que a bancada liderada por Ana Catarina Mendes apresenta, pela primeira vez, maior distância face a alguns dos partidos à sua esquerda do que em relação ao PSD."<ul class="list"><li><a href="https://rr.sapo.pt/especial/politica/2021/11/29/ps-votou-mais-vezes-ao-lado-do-psd-do-que-be-e-pcp/262079/" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>« E os portugueses, cuja expansão pelo globo</title>
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<pubDate>Thu, 18 Nov 2021 01:23:53 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« E os portugueses, cuja expansão pelo globo desencadeou a formação dessa nação nova, são europeus vistos (não sem razão) por seus pares como mais próximos de africanos e indígenas do que de povos brancos. Durante o exílio londrino, ouvi de um suíço que “Dos Pireneus pra lá, é tudo África”. O neto de Thomas Mann conta em seu livro que um articulista nazista escreveu num jornal que ele e o irmão Heinrich se opunham à subida de Hitler por serem judeus. Thomas escreveu carta ao jornal dizendo que não era judeu mas sim filho de um alemão com uma brasileira, descendente de portugueses. A réplica do nazista foi: “Pior! Os portugueses vêm se misturando a judeus, árabes e até negros há séculos”.<p>Na minha canção digo apenas que “O português é um negro dentre as eurolínguas”. »</p><ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2021/11/18/culturaipsilon/entrevista/caetano-veloso-vi-palhacos-macabros-brotarem-1984567" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>Sheila Jasanoff: “A falta de confiança na ciência</title>
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<pubDate>Sun, 14 Nov 2021 01:08:21 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Sheila Jasanoff: “A falta de confiança na ciência está relacionada com a falta de confiança na(s) autoridade(s) em geral” (parece-me que "autoridades" no plural corresponde melhor ao discurso da Jasanoff, no singular corre o risco de ser interpretado de forma um bocado reaccionária). « A falta de confiança na ciência está intimamente relacionada com a falta de confiança na(s) autoridade(s) em geral. Nos países em que há altos níveis de falta de confiança no sistema político há também altos níveis de falta de confiança na ciência. Porque aceitamos o conhecimento científico? Não é porque toda a gente faz uma pequena experiência científica. Quando se vai a uma consulta, como se escolhe o médico?<p>Não é porque já se tenha um resultado à partida, mas é porque há uma sobreposição de sistemas de credenciais. [...] Se estiver na Alemanha e olhar para os horários dos autocarros, sabemos que eles correspondem a uma realidade física. Há toda uma infra-estrutura de confiança para garantir que está tudo a funcionar: que os motoristas estão a ser pagos, que as estradas estão em condições, que os padrões de tráfego são correctamente previstos. Isso diz algo sobre informação: eu não confio quando olho para os horários dos autocarros em Cambridge [cidade onde estão instalados a Universidade de Harvard e o MIT], no Massachusetts, um bastião de proezas tecnocráticas. Mas confio quando leio na Alemanha. [...] O mesmo acontece com a medicina.</p><p>[Nos EUA] quais têm sido as pessoas menos dispostas a confiar nas vacinas? É a direita radical, que não confia em nada do que a esquerda progressista diz; é a população afro-americana, que não confia na medicina exercida por brancos; são os trabalhadores mal pagos, que repetidas vezes têm tido dificuldade em aceder a medicamentos, que não têm seguro e que, se faltam ao trabalho, ficam numa situação difícil. Creio que a confiança nas instituições, a experiência e os factos estão relacionados. »</p><ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2021/11/14/ciencia/entrevista/sheila-jasanoff-desconfianca-ciencia-relacionada-desconfianca-autoridade-geral-1983855" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>Frederico Muñoz : « Com quem vota cada um dos partidos?</title>
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<pubDate>Sun, 07 Nov 2021 08:02:01 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[Frederico Muñoz : « Com quem vota cada um dos partidos? Que relações se podem extrair dos padrões de votação – e apenas das votações? Observar-se-á um resultado enquadrável nos conceitos de Esquerda e Direita ou, pelo contrário, emergem dimensões diferentes?
Nestas páginas iremos obter, processar e analisar todo o histórico de votações do período 2015-2021, aplicando um conjunto de métricas: A obtenção dos dados das votações realizadas com base nos dados abertos disponibilizados pela página oficial do Parlamento; O tratamento dos dados de forma à criação de uma tabela consistente e mais facilmente analisável; A criação de diagramas e tabelas de agrupamento, matrizes de distância e afinidade e mapas bi e tridimensionais de posicionamento relativos dos partidos. »<ul class="list"><li><a href="https://fsmunoz.github.io/parlamento/html/intro.html" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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<title>« “A única coisa que sei é que temos ouvido muitas afirmações</title>
<link>https://davidescarso.github.io/notes/2021-11-02-065743-a-unica-coisa-que-sei-e-que-temos-ouvido-muitas-afirmacoes.html</link>
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<pubDate>Tue, 02 Nov 2021 06:57:43 +0000</pubDate>
<description><![CDATA[« “A única coisa que sei é que temos ouvido muitas afirmações, normalmente de quem se posiciona à direita – e é importante também referir isso, porque isso tem uma lógica -, de como se o fim desta solução provasse que ela não funciona. E a verdade é que ela durou seis anos”, afirmou o ministro das Infra-estruturas.
Pedro Nuno Santos destacou que o actual Governo socialista, chefiado por António Costa, teve “a segunda maior duração de sempre de um Governo em Portugal” e que o país só teve “uma governação que durou mais de seis anos, que foi aquela que foi liderada por Cavaco Silva”.
“Portanto, se alguma coisa estes seis anos provaram é que a solução [à esquerda] funciona. E não só funciona pelo tempo que durou, mas funciona pelos resultados que proporcionou ao país”, sustentou, refutando a ideia passada pela direita de que o executivo apoiado pelo Partido Comunista Português e pelo Bloco de Esquerda provocou “muito do despesismo”. »<ul class="list"><li><a href="https://www.publico.pt/2021/11/02/politica/noticia/acordo-esquerda-funcionou-nao-parentesis-defende-pedro-nuno-santos-1983347?ref=hp&amp;cx=stories_c-crise-politica-539168" rel="noopener noreferrer" target="_blank">Link ↗</a></li></ul>]]></description>
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