Davide Scarso
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— NOTA

Os médicos dos escravos e os médicos dos homens livres « nenhum [dos médicos dos escravos (nota: na maioria dos casos escravos eles também)] poderá interrogar-se nesta situação, nem tão pouco dará ou aceitará explicações acerca do mal dos indivíduos que trata: ordena simplesmente de acordo com o que a experiência lhe dita, como se tivesse disso um conhecimento perfeito, com toda aquela obstinação familiar ao poder do tirano; caminha ele com passo ligeiro por entre os enfermos escravos. Torna ele muito mais fácil para o seu senhor a tarefa incómoda de lidar com os seus servos. O médico livre, por outro lado, examina e cura os males dos homens livres: informa-se acerca da sua doença com método, desde o seu aparecimento e de acordo com a natureza da enfermidade; passa, então, a expor o seu diagnóstico ao doente, partilhando-o até com os seus entes queridos, e, por isso, pode conhecer melhor a própria natureza do doente que trata, sendo possível instrui-lo de algum modo; nada lhe prescreve que não tenha previamente convencido o seu doente a tomar. Com a ajuda da persuasão, pode ele tornar mais ameno o estado do seu enfermo, e ao mostrar-se sempre disposto a recebê-lo e a trata-lo para lhe facultar o restabelecimento da sua saúde. Perguntemos: será melhor o médico que tenta curar deste modo ou então daquele outro modo? » Platão, Leis, IV, 720.
10 maio 2020