Davide Scarso
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— EXCERTO

« Por exemplo lembro que em Mascate, em Omã, [o Presidente Mário Soares] visitou um Museu que fala da presença portuguesa naquela zona [...] e quando estamos no Museu toda a gente – há lá a comitiva, a imprensa e o Presidente da República também – o guia começa a ficar um pouco atrapalhado quando chega uma altura onde se vê perfeitamente a figura do Vasco da Gama e do Afonso de Albuquerque, porque ele tinha de traduzir aquilo para inglês – e depois alguém traduzia para o Mário Soares, é sabido que ele não fala inglês – mas o que estava na legenda não era nada abonatório nem para um nem para o outro. No caso do Vasco da Gama, lembro-me que descreviam-no como um navegador português que usurpou dos conhecimentos dum navegador local, agora não me lembro o nome dele / Majide /, porque quem descobriu, entre aspas, o caminho marítimo para a índia era um piloto omãnita, ele é que levou o Vasco da Gama à Índia, e não foi o Vasco da Gama… portanto, pronto, a repor a verdade histórica sobre o verdadeiro conhecedor que era um piloto local. E, depois, sobre Afonso de Albuquerque, era simplesmente um pirata, um terror, visto como um terror. Aliás em Goa também havia vestígios desta visão que não era nada abonatória para a figura de Afonso de Albuquerque, e bem pelo contrário ele era considerado como uma espécie de homem que implantou uma política quase terrorista, de horror e de terror. Portanto na altura o Presidente teve que lidar do ponto de vista diplomático com estas contradições […] »
23 janeiro 2021