— NOTA
Uma boa leitura sobre ciência e política, já agora. « A verdade é que uma das questões que deverá reunir mais consenso entre os cientistas (e o resto do mundo, já agora) será precisamente a conclusão de que tomar decisões (políticas ou outras) no meio da incerteza não é fácil. No entanto, os decisores políticos não podem mesmo fugir a essa responsabilidade, são eles que têm de fazer a gestão do risco com incerteza. E, muitas vezes, o consenso científico pode ser um “não sabemos”. E se a ciência é feita da procura de respostas e faz-se com e por causa do que não sabemos, questionando e perguntando, a política não gosta do “não sei”. [...] Num estudo do Instituto Max Planck, publicado em Dezembro, os investigadores analisaram precisamente a receptividade das pessoas à incerteza na ciência e concluíram que a maioria dos participantes (alemães) queria ser informada sobre as dúvidas e o desconhecido.
“Para melhor se envolverem com as pessoas que estão actualmente cépticas sobre as medidas do Governo relativas ao coronavírus, o Governo e os media devem ter a coragem de comunicar as incertezas de forma mais aberta”, recomendou Gert G. Wagner, co-autor do estudo, num comunicado de imprensa do instituto sobre este trabalho. »
12 fevereiro 2021