Adulto: "Enquanto morares debaixo deste tecto e comeres a comida que nós fazemos, tens de seguir as nossas regras!". Menino com 10 anos: "Vocês não fazem mais do que a vossa obrigação!"
Depois desta serena troca de ideias, acho que vou propor às escolas do primeiro e segundo ciclo um Atelier sobre Neoliberalismo e Anarco-Capitalismo, que teria o cap. 14 de "The Ethics of Liberty" de Murray Rothbard (NYU Press, 1998) como base de discussão. No texto em questão, como é sabido, Rothbard defende uma abordagem libertária às relações sociais ("o mundo do Robinson Crusoe") a partir da qual se deduz, entre outras coisas, que "um progenitor não tem o direito de agredir os seus filhos, porém, ao mesmo tempo, não deve ter a obrigação legal de alimentar, vestir ou educá-los, uma vez que tais obrigações implicariam actos positivos de coação sobre os progenitores e uma limitação dos seus direitos" (p. 100). O que está em discussão, repare-se, é uma obrigação de ordem ‘legal’, sendo completamente distinta da questão de uma possível obrigação ‘moral’.
Eventuais desequilíbrios que possam vir a ocorrer (crianças abandonadas, mal-vestidas, a passar fome etc.) seriam resolvidos com o estabelecimento de um livre mercado de crianças: "Na verdade, há uma grande procura de filhos por parte de adultos e casais, que fica insatisfeita, assim como um grande número de bebés excedentes e indesejados que são negligenciados ou maltratados pelos seus pais. Permitir um livre mercado de crianças eliminaria esse desequilíbrio e permitiria uma alocação de bebés e crianças longe dos progenitores que não gostam ou não cuidam dos seus filhos, e em favor de pais adoptivos que desejam profundamente esses filhos. Todos os envolvidos: os pais naturais, os filhos e os pais adoptivos que compram os filhos estariam, neste tipo de sociedade, numa situação melhor" (p. 104). Sinto que vai ser um sucesso.