— EXCERTO
“Aquilo, para mim, que tinha 12 anos quando foi o 25 de Abril e já era muito politizado, era um festival para os sentidos. O mais incrível é que os tenha guardado, vá-se lá saber porquê. [...] Queria ter um de cada. Porque a realidade mudou de repente. Dantes, as paredes eram limpas e brancas e pintadinhas, tudo arrumadinho; de repente, não eram só as paredes que estavam desarrumadas, as famílias e o país também estavam desarrumados. A minha família quase se desfez, o meu avô era um lavrador alentejano a quem ocuparam as terras, o meu pai era do Partido Socialista, e o que estava em causa eram coisas importantes: ‘Deixamos cair as colónias?’ ‘A propriedade privada pode existir?’ ‘Tudo é de todos mas a minha enxada é minha?’ Estava tudo em discussão, havia debates por todo o lado.”
25 abril 2025